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O PODER DA PALAVRA DO LÍDER
   2 de maio de 2021   │     19:20  │  1

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
João 1:1

A faculdade da fala – linguagem articulada – e a formação do pensamento – superior do homo sapiens em relação às outras espécies do mundo animal – diferenciam e tornam o ser humano superior. O poder da palavra é, desta forma, fundamental para que o homem reine sobre a terra.

A jovem ciência da Comunicação tem como objeto qualquer fenômeno comunicativo restrito à dimensão humana, mediatizado ou não por meios técnicos. A Retórica constitui uma forma de comunicação com fins persuasivos. Eis a definição proposta pelo professor Reboul: Retórica é arte de persuadir pelo discurso.[1] Para que a palavra, instância maior da comunicação humana, tenha poder é preciso que seja usada persuasivamente.

Quanto ao pensamento, o autor israelense Yuval Harari, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, em sua obra publicada em 2015, pela editora Dvir, Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã, defende que o Homo Sapiens, graças ao seu pensamento inteligente, desenvolveu a ciência e, com isso, subjugou todos os outros animais e se declarou o dono do mundo.

Para subjugar as outras espécies e se declarar o Senhor do mundo, como grande instrumento, o homem usou a palavra, naturalmente articulada com base em pensamentos inteligentes. Pois bem, o poder da palavra – tanto declarativa, como propulsora de ação – é o maior símbolo da força do homem na face da terra!

Após esta breve abordagem conceitual, vou apresentar algumas dicas para que você alcance poder com as suas palavras:

(1) Recomendo, a princípio, o vocabulário padrão da língua portuguesa (ou da língua na qual você está falando) – aquele usado pelos telejornais, por exemplo.

(2) Use palavras que entrem em sintonia com o vocabulário da sua audiência. Para isso é preciso você procurar conhecer, o máximo que puder, o seu público-alvo. Naturalmente, você já tem a sua bagagem vocabular pessoal, mas deve ir além dela com pitadas adequadas do vocabulário do seu público.

(3) Evite vocabulário técnico para pessoas não-técnicas. Caso precise usar a uma linguagem científica ou profissional, por algum motivo, considere a necessidade de traduzi-la. Tudo vai depender se você tem interesse ou não que elas entendam. Embora, regra geral, a comunicação parta do pressuposto do entendimento da mensagem por parte dos interlocutores, em algumas situações é possível que você queira propositadamente demonstrar que tem um conhecimento que para ser usado em benefício do outro haja necessidade de um pagamento para isso, por exemplo.

(4) Evite gírias. Caso acredite que deve empregá-las – diante de um grupo de jovens, por exemplo – procure calcular a melhor forma de fazê-lo!

(5) Evite palavras de baixo calão. Lembro de certa vez que fui ministrar um curso em Salvador, a bela e histórica primeira capital do Brasil, e um aluno comentou:  Professor, o senhor recomendar que devemos evitar um vocabulário técnico ou gírias… tudo bem. Mas recomendar que devemos evitar palavrões… isto não precisa nem dizer, porra! Bem, todos riram e ele passou a concordar que a recomendação era necessária.

(6) Traduza siglas. Há alguns anos, convidado pela presidente Maria Clara Bugarim e depois pelo presidente Martonio Coelho, tive a satisfação de  ministrar vários cursos, em vários estados do Brasil, através do CFC. Traduzindo Conselho Federal de Contabilidade.

(7) Monitore a sua gramática. Erros gramaticais podem até ser perdoados pelo público, especialmente se você não estiver lendo. Entretanto, não relaxe. Procure falar com correção gramatical. Dificuldades constantes em concordância verbal ou nominal, por exemplo, podem comprometer a sua imagem, dependendo naturalmente do público. Quando tiver dúvidas, pesquise para melhorar a sua gramática. Naturalmente, há comunicadores que se saem bem sem uma boa noção gramatical, mas estes fazem parte das exceções.

Líder, lembre-se: há poder em suas palavras. Palavras pronunciadas causam vibração no universo. palavras positivas produzem vibrações positivas e o contrário também é verdade. Palavras e pensamentos são compostos de energia e, se bem administrados, produzem maravilhas no mundo físico! Você, muito provavelmente, já ouviu ou leu a passagem bíblica citada no início deste texto que declara a palavra como o próprio Deus, o Todo Poderoso. Use o poder da palavra para construir um mundo melhor para você e para as pessoas que você conseguir atingir. Eu tenho buscado fazer assim por toda a minha vida e agradeço a Deus por isso!

[1] Olivier REBOUL. Introdução á Retórica. Tradução: Ivone Casilho Benedetti. Editora Martins Fontes. São Paulo, 1998, págs. XIV e XV.

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O líder bem-aventurado.
   7 de março de 2021   │     12:19  │  0

Bem-aventurados os pobres pelo espírito“. Jesus Cristo.

Jesus disse “…pobres de espírito” ou “pobres pelo espírito”?! Qual a diferença?

É impressionante como tantos grandes oradores e, o que é pior, tantos proclamadores da fé cristã, não reproduzem (e não entendem) o que o maior comunicador de todos os tempos, com mais de dois bilhões de seguidores no mundo, realmente falou.

Vou explicar com a ajuda do professor, filósofo e teólogo Huberto Rohden. Segundo ele “Nem no texto grego do primeiro século, nem na tradução latina da Vulgata (Bíblia), se encontra o tópico ‘pobres de espírito’, mas sim, ‘pobres pelo espírito, ou seja, ‘pobres segundo o espírito’”.

Qual a diferença? Simples: pessoas “pobres de espírito” são aquelas “desprovidas de”…, enquanto “pobre pelo espírito” (tradução correta) significa que pela livre escolha, em uma dimensão espiritual, a pessoa é “despegada de”… (bens materiais, mesmo que os possuam).

Nesse sentido, pessoas ricas de bens materiais podem usar suas riquezas para ajudar não apenas a si mesmas, mas também a muitas outras pessoas por serem capazes desse desapego… ou não e, da mesma forma, pessoas pobres materialmente podem ser tão apegadas ao desejo de possuir bens materiais que se tornam escravas desse desejo… ou não.

A expressão “ninguém pode servir a dois senhores”, cabe bem aqui, ou seja, ou se serve a Deus (foco no espírito) ou ao dinheiro (foco no apego aos bens materiais ou no desejo de possuí-los). Logo, ser rico materialmente não consiste em pecado, assim como ser pobre não constitui virtude. Uma coisa é ser possuidor de muitos bens e outra é ser possuído, ou escravo, de bens materiais ou do dinheiro ou mesmo do desejo disto.

Assim, queridas e queridos líderes, que fique claro: Jesus não disse “pobres de espírito”, mas sim “pobres pelo espírito”, ou seja, “segundo o espírito”. Não apenas as traduções fidedignas, mas também toda a mensagem do maior líder e comunicador de todos os tempos reforça a segunda tradução, como em “eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (João 10:10b). Assim, vivamos pelo espírito com vida abundante em alegria e força para a mente, o corpo e a alma. Afinal, quem é capaz de servir a Deus “em espírito e em verdade” pode ser servido por bens materiais e pelo dinheiro.

Reflitamos, pois!

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