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COMUNICAÇÃO, ELOQUÊNCIA, RETÓRICA E ORATÓRIA .
   27 de setembro de 2021   │     0:29  │  0

Eis, pois, a definição que propomos: retórica é arte de persuadir pelo discurso. Olivier Reboul. 

Observe a sentença: “Puxa!… a sua comunicação envolveu a todos. Agora sei que você é um grande orador”! Neste fragmento textual, a palavra comunicação pode ser substituída por eloquência, oratória ou retórica. Acontece que, embora sejam termos que possam ser usados, grosso modo, no mesmos sentido, tecnicamente são diferentes.

Neste domingo, vamos apresentar os conceitos de Comunicação, Eloquência, Oratória e Retórica e, desta forma,  deixar claro as diferenças entre estes termos.

COMUNICAÇÃO.

A comunicação humana nasceu naturalmente com o homem, ser da linguagem (FOUCAULT, 1999). Com base em 30 anos de ensino e pesquisas – ora em cursos da academia, ora de natureza livre – respondo, com muita convicção, a pergunta:  que é Comunicação?

A comunicação humana é um processo que consiste em tornar comum, entre duas ou mais pessoas, pensamentos e emoções, por intermédio da troca de mensagens, consciente ou não-consciente. Através de ações verbais e não verbais e com a inerência do fenômeno da percepção. A comunicação eficaz, no geral, é consciente e tem como objetivos principais a compreensão e a influência.

ELOQUÊNCIA.

Já  Eloquência consiste no talento natural de alguém para falar bem em conversas ou apresentações. Há raras pessoas que já nascem com os neurônios da inteligência linguístico-verbal em atividade acima da maioria e manifestam tal característica desde cedo.  São chamadas eloquentes as pessoas que já nascem com o “dom da palavra”, ou seja, com esta natural facilidade para comunicar com eficácia.

Mas… e quem não nasce com este dom? A boa notícia é que qualquer diamante necessita de lapidação e mesmo o indivíduo que não nasce com facilidade para falar pode buscar aprender técnicas para falar bem, em outras palavras, buscar a Retórica.

RETÓRICA.

         A Retórica é a ciência do bem falar, ou seja, que ensina técnicas para falar de forma persuasiva. Esta é a linha conceitual que vamos adotar. Entretanto, vale apenas visitarmos a obra “Introdução à Retórica”, do professor Olivier Reboul,  que começa o seu bem elaborado texto conceitual sobre Retórica assim:

O que se espera de uma introdução à retórica é que logo de início se defina o termo. Infelizmente, não é fácil, pois, hoje em dia, o termo ‘Retórica’ assumiu sentidos bem diversos e até divergentes. (…) Uma delas, de C. Perelman e L. Olbrechts-Tyteca, vê a retórica como arte de argumentar. (…) A outra, de Morier, G. Genette, J. Cohen e do “Grupo MU”, considera a retórica como estudo do estilo. Para os primeiros, a retórica visa a convencer; para os últimos, constitui aquilo que torna literário um texto; e é difícil perceber o que as duas têm em comum.

No entanto, é esse elemento comum que bem poderia ser o mais importante, ou seja, a articulação dos argumentos e do estilo em uma mesma função. Ao dizermos isso, referimo-nos a retórica clássica, que começa com Aristóteles e se prolonga até o século XIX. (…).

Eis, pois, a definição que propomos: retórica é arte de persuadir pelo discurso.[1]

Ainda no âmbito conceitual da Retórica adotado por nós – técnicas para falar de forma persuasiva – Recorramos a Perelman que inicia o seu “Tratado da Argumentação: A Nova Retórica”, obra simbólica no estudo das técnicas de comunicação para líderes na atualidade, assim:

O objeto da Retórica antiga era, acima de tudo, a arte de falar em público de modo persuasivo; referia-se, pois, ao uso da linguagem falada, do discurso, perante uma multidão reunida em praça pública, com o intuito de obter a adesão desta a uma tese que se lhe apresentava. Vê-se, assim, que a meta da arte oratória – a adesão dos espíritos – é igual à de qualquer argumentação.[2]

Após estudarmos noções conceituais de Eloquência e Retórica, fica mais fácil conceituarmos Oratória.

ORATÓRIA.

A Oratória consiste na prática da arte e da técnica que permite ao orador falar levando uma mensagem para o seu público. A Oratória consiste no processo de comunicação nos aspectos oral e grupal, vivenciado na exposição de um falante para um grupo de ouvintes.

O professor Paulo Silva de Araújo, alagoano que recebeu o Prêmio de Oratória da Academia Brasileira de Letras/1992, na sua obra Arte de falar em público: discursos, conferências, palanque eletrônico, nos ensina: Oratória: emprego adequado dessas regras (da Retórica). (…) Os fins da Oratória: instruir, convencer, persuadir, comover e deleitar.[3]

O fenômeno oratório, a prática da palavra falada em público, é bom que se reforce, pode ocorrer de forma presencial ou telepresencial.

Assim, de forma didática: a Eloquência consiste no talento natural para falar; a Retórica estuda cientificamente a forma que cada orador usa para persuadir os seus ouvintes em cada circunstância com a qual se depara e a Oratória refere-se a prática da fala em público. E, finalmente, registre-se também que qualquer pessoa, dita normal, desde que tenha vontade firme, pode desenvolver o seu pensamento e a sua linguagem e adquirir, assim como aperfeiçoar, técnicas para falar bem em público. Logo, você pode se tornar um Orador, você pode falar, em diálogos ou para grupos de forma persuasiva – o estudo, a prática e o tempo é que vão lhe dar a medida.

Boa semana!

[1] Olivier REBOUL. Introdução á Retórica. Tradução: Ivone Casilho Benedetti. Editora Martins Fontes. São Paulo, 1998, págs. XIV e XV.

[2] Chaïm PERELMAN. Tratado da Argumentação: A Nova Retórica. Tradução: Maria Ermantina G. G. Pereira. Editora Martins Fontes. São Paulo, 1996, p. 6.

[3] Paulo Silva de ARAÚJO. Arte de Falar em Público: Discursos, Conferências e Palanque Eletrônico. Rio de Janeiro: Forense, 2003. p. 1 e 2.

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