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COMUNICAÇÃO SIMPÁTICA, ANTIPÁTICA, APÁTICA E EMPÁTICA.
   20 de setembro de 2021   │     0:35  │  0

Fazemos nossas observações por meio deste (…) aparelho perceptivo, precisamente com o auxílio das lacunas do psíquico, complementando por meio de deduções evidentes o que foi omitido, e traduzindo-o em material consciente.

Sigmund Freud.

Hoje, vou escrever sobre Comunicação e o pathos nas relações interpessoais: simpatia, antipatia, apatia e empatia. E você é uma pessoa naturalmente simpática ou antipática? Será você é predominantemente apático ou empático? Vamos conceituar cada um destes termos e comentarmos sobre as diferenças entre estas versões na comunicações e relações interpessoais.

Vamos começar, no entanto, esclarecendo que as quatros palavras têm uma mesma raiz: páthos. Palavra grega que significa emoção, sentimento, paixão, sofrimento.

Simpatia

Ser simpático consiste em dizer “sim” à emoção do outro – no sentido de tratar o outro de forma agradável e, desta forma, conquistar o outro. A simpatia consiste em uma atração que alguém causa no outro a partir de um comportamento que cause identificação com este outro. Por exemplo: Caso você tenha atitudes com base em cordialidade, gentileza e amabilidade, normalmente a pessoa com a qual você está se relacionando tende a simpatizar com você. Outro exemplo: Pode acontecer de duas pessoas serem extremamente descorteses ao se dirigirem a seus subordinados e esta forma de ambas se relacionarem com os subalternos criara uma relação de simpatia entre ambos. Nos dois exemplos, pode-se dizer que os sentimentos de ambos estão dizendo aquele “sim” às emoções um do outro. Foi estabelecida uma relação com identificação emocional. Aquele sentimento de estarem juntos compartilhando da mesma emoção, daí a “sim-patia”! É evidente que uma pessoa naturalmente simpática pode se tornar antipática quando não houver identificação com outra ou quando, por algum outro motivo, considerar que não vale a pena ser simpática em determinada ocasião.

Antipatia

Ser antipático consiste em dizer “não” à emoção do outro – no sentido de tratar o outro de forma antagônica, ou seja, com antagonismo ao sentimento e a identidade do outro e assim, em consequência, afastar o outro. Entre as causas da antipatia estão: dificuldades de comunicação de relações interpessoais; egocentrismo e arrogância. É claro que pessoas predominantemente antipáticas podem ser simpáticas, quando lhe convierem, assim como podem ser comunicativas desde que isto as beneficiem e tenham esta capacidade expressiva e não dificuldade.

Apatia

Ser Apático consiste em negar a emoção em relação ao outro – literalmente “sem emoção” – neste caso nem são contra (antipáticos) nem a favor (simpáticos) ao outro. O prefixo “a” significando negação. Assim como o “a-teu” nega Deus ou é uma pessoa que “sem” Deus. Pessoa apáticas não demonstram emoção ou funcionam “sem” emoção. Normalmente são indiferentes no trato com o outro e têm dificuldade de expressão e de sentir afeto.  As causas da apatia são diversas e boa parte da literatura da área considera que estão relacionadas com distúrbios de ordem fisiológica ou psicológica. É claro que pessoas que têm a apatia na sua essência podem ser simpáticas ou antipáticas dependendo da ocasião.

Empatia

Ser Empático é ser sensível a dor alheia – metaforicamente se diz até que consiste na capacidade de se colocar “em” lugar do outro – embora saibamos que esta atitude mental consiste, na realidade, em se inclinar ao sentimento do outro. É claro que não se pode sentir a dor do outro, mas é possível buscar compreender a dor da outra pessoa em um processo de visualização empática. A empatia é atualmente a forma mais requisitada nas relações interpessoais, pois relações humanas empáticas são significativamente importantes na solução de conflitos diversos. Uma das maiores referencias nesse sentido, ou seja, de comunicação empática é a Comunicação Não Violenta (CNV), criada por Marshal Rosemberg, assunto do nosso próximo artigo.

Para este texto, relembramos Freud em seu Compêndio da Psicanálise lançado originalmente em 1940, um ano após a sua morte. Para ele:

Todas as ciências se baseiam em observações e experiências mediadas pelo nosso aparelho psíquico. (…) Fazemos nossas observações por meio deste mesmo aparelho perceptivo, precisamente com o auxílio das lacunas do psíquico, complementando por meio de deduções evidentes o que foi omitido, e traduzindo-o em material consciente.[1]

Para concluir, fica a dica: deduzir, de forma consciente, sobre a forma que nos comunicamos a partir do páthos é fundamental para avaliarmos as nossas relações e avançarmos no sentido de as aperfeiçoarmos continuamente.

[1] Sigmund FREUD. Compêndio da Psicanálise. Tradução: Renato Zwick. Editora L&PM. Porto Alegre: 2018, p. 76.

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INTELIGÊNCIA POSITIVA E VOCÊ!
   12 de setembro de 2021   │     23:29  │  0

A Inteligência Positiva é uma indicação do controle que você tem sobre sua própria mente e o quão bem sua mente age em seu próprio benefício. Shirzad Chamine, Doutor em Neurociência e professor da Stanford University, Califórnia/USA.

Vamos conversar sobre Inteligência, Psicologia Positiva e Inteligência Positiva.

Inteligência é uma palavra de origem latina composta por duas outras: inter mais eligere. Inter significa “entre” ou “inter” e eligere significa “eleger”. Assim, com base na etimologia do termo já podemos lembrar que a inteligência consiste em eleger uma opção entre duas ou mais possibilidades apresentadas. A questão é: qual das opções é a melhor?

Neurociência consiste no estudo do sistema nervoso, em especial o cérebro e as redes neurais. Frank Amthor (2017), em sua obra Neurociência para leigos, nos informa, logo no início:

Embora este livro seja sobre Neurociência, o estudo do sistema nervoso, ele é principalmente sobre o cérebro, onde a maioria da ação do sistema nervoso acontece, em termos neurais. (O sistema nervoso central é formado por cérebro, retina e medula espinhal). Se seu cérebro funciona bem, você pode ter uma vida longa, feliz e produtiva (salvo algumas circunstâncias infelizes, claro).[1]

Pois bem, Shirzad Chamine (2013), autor da livro Inteligência Positiva, nas primeiras páginas da sua aplaudida obra escreve:

Como já comentei, sua mente é sua melhor amiga, mas também é sua pior inimiga. A Inteligência Positiva mede a força relativa desses dois modos da sua mente. Uma Inteligência Positiva Alta significa que sua mente age como sua amiga bem mais do que como sua inimiga. Portanto, a Inteligência Positiva é uma indicação do controle que você tem sobre sua própria mente e o quão bem sua mente age em seu próprio benefício.[2]

Vou usar aqui uma ilustração. No início do ano fui convidado para ministrar uma palestra sobre Comunicação Não-violenta e aceitei imediatamente, até porque já venho há pelo menos três anos lendo sobre o tema. Minha mente enviou-me imediatamente a mensagem: “Como você nunca ministrou palestra especificamente e somente sobre este tema, é necessário sentar para prepara a palestra”. Ok! Pensei eu! A minha mente está aqui me ajudando. Acontece que, se por algum motivo, eu tivesse acordado pela madrugada preocupado com a palestra – por exemplo, repetindo para mim mesmo, inúmeras vezes, que por ser um assunto inédito a palestra seria um fracasso e aumentando gradativamente um sentimento de ansiedade, sofrendo assim por antecipação – tudo isso indicaria que a minha mente etária trabalhando contra mim.

Bem, não é objetivo deste texto narrar a história pessoal de Chamine em que ele despertou para a elaboração da sua teoria sobre Inteligência Positiva – que foi elaborada naturalmente não só a partir do conhecimento científico que já possuía, mas também através de novas pesquisas envolvendo Neurociência, Ciência Organizacional e Psicologia Positiva que o levou a retomar seus próprios estudos sobre os mecanismos da mente que levam à felicidade ou à infelicidade ou ainda ao sucesso ou ao fracasso. Assim, Chamine (2013) afirma que tudo isso o levou a ter como foco duas dinâmicas relacionadas:

1.Nossa mente é nosso pior inimigo; ela abriga personagens que ativamente sabotam nossa felicidade e nosso sucesso. Esses sabotadores podem ser facilmente identificados e enfraquecidos.

2. Os “músculos” do cérebro que nos dão acesso à nossa grande sabedoria e discernimento ficam fracos depois de anos sem serem exercitados. Esses músculos cerebrais podem facilmente ser fortalecidos para nos dar maior acesso à nossa sabedoria mais profunda e poderes mentais inexplorados.[3]

Shirzad Chamine propõe em sua obra exercícios que se concentram em uma ou nas duas dinâmicas apresentadas que, segundo o neurocientista, conseguem aumenta a Inteligência Positiva das pessoas e, desta forma, aumentar a probabilidade de melhor desempenho, mais sucesso e mais felicidade. Quer saber mais? O próximo texto vai ser sobre “Como aumentar o seu Quociente de Inteligência Positiva”. Quer saber ainda mais? Leia o livro do Chamine.

Carlos Conce.

[1] Frank ANTHOR. Neurociência para leigos. Tradução: Samantha Batista. Editora Alta Books. Rio de Janeiro: 2017, p. 7.

[2] Shirzad CHAMINE. Inteligência positiva: por que só 20% das equipes e dos indivíduos alcançam seu verdadeiro potencial e como você pode alcançar o seu. Tradução: Regiane Winarsky. Editora Objetiva Rio de Janeiro, 2013, p. 14.

[3] Shirzad CHAMINE. Inteligência positiva: por que só 20% das equipes e dos indivíduos alcançam seu verdadeiro potencial e como você pode alcançar o seu. Tradução: Regiane Winarsky. Editora Objetiva Rio de Janeiro, 2013, p. 19.

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O PODER DA PALAVRA DO LÍDER
   2 de maio de 2021   │     19:20  │  1

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
João 1:1

A faculdade da fala – linguagem articulada – e a formação do pensamento – superior do homo sapiens em relação às outras espécies do mundo animal – diferenciam e tornam o ser humano superior. O poder da palavra é, desta forma, fundamental para que o homem reine sobre a terra.

A jovem ciência da Comunicação tem como objeto qualquer fenômeno comunicativo restrito à dimensão humana, mediatizado ou não por meios técnicos. A Retórica constitui uma forma de comunicação com fins persuasivos. Eis a definição proposta pelo professor Reboul: Retórica é arte de persuadir pelo discurso.[1] Para que a palavra, instância maior da comunicação humana, tenha poder é preciso que seja usada persuasivamente.

Quanto ao pensamento, o autor israelense Yuval Harari, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, em sua obra publicada em 2015, pela editora Dvir, Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã, defende que o Homo Sapiens, graças ao seu pensamento inteligente, desenvolveu a ciência e, com isso, subjugou todos os outros animais e se declarou o dono do mundo.

Para subjugar as outras espécies e se declarar o Senhor do mundo, como grande instrumento, o homem usou a palavra, naturalmente articulada com base em pensamentos inteligentes. Pois bem, o poder da palavra – tanto declarativa, como propulsora de ação – é o maior símbolo da força do homem na face da terra!

Após esta breve abordagem conceitual, vou apresentar algumas dicas para que você alcance poder com as suas palavras:

(1) Recomendo, a princípio, o vocabulário padrão da língua portuguesa (ou da língua na qual você está falando) – aquele usado pelos telejornais, por exemplo.

(2) Use palavras que entrem em sintonia com o vocabulário da sua audiência. Para isso é preciso você procurar conhecer, o máximo que puder, o seu público-alvo. Naturalmente, você já tem a sua bagagem vocabular pessoal, mas deve ir além dela com pitadas adequadas do vocabulário do seu público.

(3) Evite vocabulário técnico para pessoas não-técnicas. Caso precise usar a uma linguagem científica ou profissional, por algum motivo, considere a necessidade de traduzi-la. Tudo vai depender se você tem interesse ou não que elas entendam. Embora, regra geral, a comunicação parta do pressuposto do entendimento da mensagem por parte dos interlocutores, em algumas situações é possível que você queira propositadamente demonstrar que tem um conhecimento que para ser usado em benefício do outro haja necessidade de um pagamento para isso, por exemplo.

(4) Evite gírias. Caso acredite que deve empregá-las – diante de um grupo de jovens, por exemplo – procure calcular a melhor forma de fazê-lo!

(5) Evite palavras de baixo calão. Lembro de certa vez que fui ministrar um curso em Salvador, a bela e histórica primeira capital do Brasil, e um aluno comentou:  Professor, o senhor recomendar que devemos evitar um vocabulário técnico ou gírias… tudo bem. Mas recomendar que devemos evitar palavrões… isto não precisa nem dizer, porra! Bem, todos riram e ele passou a concordar que a recomendação era necessária.

(6) Traduza siglas. Há alguns anos, convidado pela presidente Maria Clara Bugarim e depois pelo presidente Martonio Coelho, tive a satisfação de  ministrar vários cursos, em vários estados do Brasil, através do CFC. Traduzindo Conselho Federal de Contabilidade.

(7) Monitore a sua gramática. Erros gramaticais podem até ser perdoados pelo público, especialmente se você não estiver lendo. Entretanto, não relaxe. Procure falar com correção gramatical. Dificuldades constantes em concordância verbal ou nominal, por exemplo, podem comprometer a sua imagem, dependendo naturalmente do público. Quando tiver dúvidas, pesquise para melhorar a sua gramática. Naturalmente, há comunicadores que se saem bem sem uma boa noção gramatical, mas estes fazem parte das exceções.

Líder, lembre-se: há poder em suas palavras. Palavras pronunciadas causam vibração no universo. palavras positivas produzem vibrações positivas e o contrário também é verdade. Palavras e pensamentos são compostos de energia e, se bem administrados, produzem maravilhas no mundo físico! Você, muito provavelmente, já ouviu ou leu a passagem bíblica citada no início deste texto que declara a palavra como o próprio Deus, o Todo Poderoso. Use o poder da palavra para construir um mundo melhor para você e para as pessoas que você conseguir atingir. Eu tenho buscado fazer assim por toda a minha vida e agradeço a Deus por isso!

[1] Olivier REBOUL. Introdução á Retórica. Tradução: Ivone Casilho Benedetti. Editora Martins Fontes. São Paulo, 1998, págs. XIV e XV.

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Comunicação consciente e competência emocional
   21 de março de 2021   │     23:58  │  4

Não são os fatos reais, mas sim as suas percepções, que provocam as mudanças de humor“. David D. Burns, Ph.D.

A partir do método C.O.N.C.E. (Comunicação Oral Natural Consciente  Eficaz) quero destacar a sua capacidade de comunicação intrapessoal, de viés interpretativo, a partir da percepção da relação entre o mundo e o modo como você se sente. Para isso, com base nos estudos do Dr. Burns, professor da disciplina de Psiquiatria e ciências do comportamento da Stanford University nos Estados Unidos, quero descrever como a relação entre o mundo e o modo como nós nos sentimos depende diretamente da interpretação que fazemos dos fatos.

O professor Burns apresenta o fluxo “fatos-pensamentos-emoções” assim: primeiro, o mundo nos apresenta uma série de fatos positivos, neutros e negativos; em segundo lugar, você interpreta os fatos com uma série de pensamentos através do seu “diálogo interior” (comunicação intrapessoal) e, em terceiro lugar, suas emoções são produzidas pelos seus pensamentos, ou interpretação dos fatos, e não pelos fatos reais. Nesse sentido é importante esclarecer, caro leitor, que todas as experiências que vivenciamos precisam ser processadas pelo nosso cérebro e adquirirem um sentido consciente antes que possamos ter qualquer resposta emocional.

Assim, você estar triste com a pandemia que ora assola o nosso país e o mundo é normal, entretanto se você deixa a tristeza levá-lo à ansiedade, os seus pensamentos – frutos deste “diálogo interior” citado – podem se tornar distorcidos, ou seja, equivocados.  E ainda, a ansiedade excessiva pode levar a um quadro depressivo. Aí você passaria para um quadro anormal, devido a uma percepção equivocada do fato.

Desta forma, uma comunicação intrapessoal assertiva – onde seu “diálogo interno” é capaz de interpretar adequadamente as dificuldades da pandemia e focar, de forma consciente, nos pensamentos e nas ações corretas para enfrentá-la – é a melhor forma de trabalhar a sua relação com os fatos que o mundo lhe apresenta e o modo como você se sente. Consiste isso em uma comunicação eficaz com competência emocional. Líderes, vamos em frente com dois pilares fundamentais: ciência e fé!

 

 

 

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